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Calculadora Método Graham 2026

Essa ação está cara ou barata? Calcule o preço justo pela fórmula de Benjamin Graham, mentor de Warren Buffett.

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Preço justo da ação pela fórmula de Graham

Informe LPA e VPA da empresa. Adicione o preço atual para ver a margem de segurança, P/L e P/VP.

Calcule o preço justo (Graham)

Resultado em tempo real. Use LPA e VPA da empresa para encontrar o preço justo pela fórmula de Benjamin Graham.

Lucro líquido dos últimos 12 meses ÷ número total de ações.
Patrimônio líquido ÷ número total de ações.
Opcional. Informe para ver a margem de segurança, P/L e P/VP.
Responsabilidade Editorial

Nossas calculadoras são utilizadas para cálculos em geral. É importante lembrar que os resultados dos cálculos podem estar sujeitos a variações, pois podem existir fatores que não foram levados em consideração durante o cálculo e que podem influenciar no resultado final.

Como funciona

Método Graham: filtro clássico do value investing

Quem foi Benjamin Graham e por que essa fórmula virou clássica

Benjamin Graham é considerado o pai do value investing. Foi professor na Columbia Business School, mentor direto de Warren Buffett e escreveu dois livros que viraram alicerce do investimento moderno: "Security Analysis" (1934), escrito com David Dodd, e "O Investidor Inteligente" (1949).

A ideia central de Graham era simples e revolucionária para a época: o preço de uma ação na bolsa nem sempre reflete o valor real do negócio por trás dela. Em momentos de euforia o mercado paga caro demais, em momentos de pânico vende muito barato. Cabe ao investidor encontrar a diferença entre o preço do papel e o valor da empresa.

A fórmula que leva seu nome traduz essa filosofia em algo calculável. A partir do lucro por ação (LPA) e do valor patrimonial por ação (VPA), ela devolve um preço de referência. Se o mercado está oferecendo a ação por um valor bem menor que esse, vale aprofundar a análise.

A fórmula em uma linha e o que cada número significa

Preço justo = √(22,5 × LPA × VPA)

O número 22,5 não é arbitrário. Ele vem da combinação dos dois múltiplos máximos que Graham considerava aceitáveis para uma empresa madura: P/L de até 15 e P/VP de até 1,5. Quinze vezes um e meio resulta em 22,5. A raiz quadrada serve para devolver o valor à mesma escala dos indicadores de entrada.

Um exemplo direto. Suponha uma empresa com LPA de R$ 3 e VPA de R$ 12. O preço justo fica em √(22,5 × 3 × 12), que é igual a √810, aproximadamente R$ 28,46. Se a ação está sendo negociada na bolsa a R$ 22, a margem de segurança é de cerca de 22,7%, calculada por (28,46 menos 22) dividido por 28,46. Esse desconto seria suficiente para passar no filtro mais comum entre investidores brasileiros.

Quando o LPA é negativo ou o VPA é muito baixo em relação ao preço, a fórmula perde sentido. Por isso ela só deve ser aplicada em empresas com lucro recorrente e patrimônio significativo.

Exemplo prático: João avalia Banco do Brasil em 2025

João é investidor pessoa física, tem perfil moderado e quer aumentar a posição em bancões. Ele abre a ficha de BBAS3 (Banco do Brasil) em um portal de fundamentos e encontra os seguintes números aproximados de 2025:

  1. LPA dos últimos doze meses: R$ 6,80.
  2. VPA: R$ 30,50.
  3. Preço atual da ação: R$ 23,00.

Aplicando a fórmula, o preço justo é √(22,5 × 6,80 × 30,50), que dá √4.668,3, aproximadamente R$ 68,33. Esse valor parece muito acima do preço de tela, então João verifica antes de comemorar.

A margem de segurança seria (68,33 menos 23) dividido por 68,33, ou seja, cerca de 66%. Em tese, uma compra muito atrativa. Mas João sabe que bancos públicos no Brasil sempre carregam um desconto extra por risco político, payout maior e exposição a crédito direcionado. Antes de comprar, ele verifica o histórico de ROE, a inadimplência, o índice de Basileia e a expectativa de dividendos. A fórmula deu o sinal, mas a decisão final exige contexto qualitativo.

Margem de segurança: por que ela é o conceito central

Margem de segurança é o pilar prático do value investing. Não basta o preço estar abaixo do justo, ele precisa estar bem abaixo, para que:

  • Eventuais erros nas premissas (LPA estimado errado, VPA inflado por reavaliação contábil) sejam absorvidos.
  • Cenários adversos como recessão, crise setorial ou perda de mercado não destruam a tese.
  • O potencial de retorno compense o risco específico daquela empresa naquele momento.

Para usar como filtro rápido, vale a leitura por faixas: margem acima de 20% indica candidata a aprofundar análise, faixa de 0% a 20% indica preço justo ou levemente descontado, e margem negativa indica papel caro pelo método. Em períodos de juros muito altos, vários analistas brasileiros sobem o piso para 30% ou até 40%, já que o investidor consegue rendimento alto sem risco em Tesouro Selic e renda fixa privada.

Onde a fórmula NÃO funciona bem

Graham é poderoso, mas não universal. Há setores e situações em que aplicar a fórmula crua leva a conclusões erradas.

  • Empresas em prejuízo: com LPA negativo, o produto dentro da raiz fica negativo e o cálculo deixa de fazer sentido. Casos como Americanas em 2023 são exemplos óbvios.
  • Growth stocks: empresas em hipercrescimento como MercadoLivre, Nubank e Magalu no auge sempre vão parecer caras pela fórmula, porque o lucro presente é pequeno em relação ao preço, mas o mercado projeta crescimento exponencial.
  • Tecnologia e plataformas: o VPA é pouco representativo, já que o valor está em marca, base de usuários, software e contratos, ativos intangíveis que não entram no patrimônio contábil.
  • Cíclicas: mineradoras, siderúrgicas, petroleiras e frigoríficos têm lucro muito volátil. No pico do ciclo o LPA infla e o preço justo fica artificialmente alto, no fundo acontece o oposto. A correção é usar média de LPA de cinco a dez anos.
  • Bancos e seguradoras: aqui a fórmula funciona bem, porque o VPA representa de verdade o ativo central do negócio.

Erros comuns na hora de usar Graham

  • Usar LPA de um trimestre forte isolado: o resultado fica enganoso. Sempre prefira o LPA dos últimos doze meses ou uma média longa em empresas cíclicas.
  • Ignorar o setor: tentar aplicar a fórmula em techs, biotechs ou startups recém-listadas devolve números sem significado.
  • Comprar só com base no filtro: ações descontadas costumam estar baratas por motivos reais. A fórmula é o primeiro passo, não o último.
  • Esquecer a qualidade do negócio: uma empresa com ROE baixo, dívida alta e governança fraca pode passar no filtro de Graham e ainda assim ser péssimo investimento.
  • Não atualizar os dados: usar LPA e VPA antigos pode levar a uma leitura completamente errada. Confira sempre se os números são do último balanço divulgado.
  • Confundir margem alta com oportunidade certa: margens muito acima de 50% costumam vir acompanhadas de risco escondido (governança, processos, problema setorial). Quando o mercado dá tanto desconto, vale investigar a causa.
Dúvidas frequentes

Perguntas sobre a fórmula de Graham

  • O que é a fórmula de Graham?

    É a fórmula que Benjamin Graham, mentor de Warren Buffett, criou para estimar o preço justo de uma ação a partir de dois fundamentos: lucro por ação (LPA) e valor patrimonial por ação (VPA). A expressão é √(22,5 × LPA × VPA). Quando o preço atual está abaixo desse valor, a ação aparece como candidata a compra; quando está acima, costuma estar cara em relação ao que a empresa entrega.

  • Por que o número 22,5 aparece na fórmula?

    O 22,5 é o produto entre os dois múltiplos máximos que Graham considerava aceitáveis em uma ação madura: P/L de 15 (pagar até 15 anos de lucro) multiplicado por P/VP de 1,5 (pagar até 1,5 vez o patrimônio). 15 vezes 1,5 dá 22,5. A raiz quadrada serve para retornar o valor à mesma grandeza do LPA e do VPA, evitando inflar o resultado.

  • Onde encontro o LPA e o VPA de uma empresa?

    Os indicadores aparecem prontos em portais como Status Invest, Fundamentus, Investing.com, Suno e na ficha do papel no site da B3. Também estão nas Demonstrações Financeiras Padronizadas (DFP) entregues à CVM. Para calcular manualmente: LPA é o lucro líquido dos últimos doze meses dividido pelo número total de ações, e VPA é o patrimônio líquido dividido pelo mesmo número de ações.

  • O que é margem de segurança e quanto é considerado suficiente?

    Margem de segurança é o desconto entre o preço justo calculado e o preço de mercado. Graham defendia comprar apenas quando esse desconto fosse relevante para absorver erros de premissa ou cenários ruins. Na prática brasileira, o filtro mais usado pede ao menos 20% de margem (preço atual não maior que 80% do preço justo). Em períodos de juros altos, alguns analistas exigem 30% a 40%.

  • A fórmula serve para qualquer ação da bolsa?

    Funciona bem em empresas maduras, com lucro recorrente e patrimônio representativo do negócio: bancos, seguradoras, elétricas, sanitárias, indústrias pesadas e companhias de bens de consumo. Quebra em empresas em prejuízo (LPA negativo zera ou inverte a conta), em growth stocks (sempre parecem caras), em tecnologia (ativos intangíveis não entram no VPA) e em cíclicas no pico ou fundo de ciclo.

  • A fórmula de Graham basta para decidir uma compra?

    Não. A fórmula é um filtro inicial, não uma decisão de investimento. Ações descontadas costumam estar baratas por motivos reais: queda do lucro, perda de mercado, problemas regulatórios ou risco setorial. Use Graham como ponto de partida e complemente com qualidade do negócio, endividamento, ROE, geração de caixa, dividend yield, vantagens competitivas e tese de futuro do setor.

  • Como aplicar Graham em empresas cíclicas?

    Em cíclicas como mineradoras, siderúrgicas, frigoríficos e petroleiras, o LPA oscila muito ao longo do ciclo. No pico, o lucro inflado deixa o preço justo de Graham artificialmente alto. No fundo, o lucro despenca e a fórmula sugere que a ação está cara mesmo perto da virada. A correção mais comum é usar média de LPA de cinco a dez anos (earnings power) em vez do dado de doze meses.

  • Quais variações existem da fórmula de Graham?

    A versão clássica de O Investidor Inteligente é a fórmula com 22,5. Graham também propôs um ajuste por crescimento esperado e taxa de juros: V = LPA × (8,5 + 2g) × 4,4 ÷ Y, em que g é o crescimento e Y é o yield do título seguro do governo. No Brasil, a versão simples segue mais popular por ser estável e não depender de prever crescimento.

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